E agora, José?

Publicado: 5 de Janeiro, 2009
Categoria: Blábláblá, Nenhum comentário

Resolvi não me preocupar com essa reforma ortográfica. Nunca consegui decorar as regrinhas, meu português sempre foi meio intuitivo, baseado em leitura, então isso não é uma coisa que me incomode.

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Acho que daqui a alguns anos minha filha vai achar graça quando eu errar a grafia de alguma palavra, tanto quanto eu quando minha mãe escreve êle, dêle, êsse, flôr…nossa, tudo tinha circunflexo?! :oP

E 2009 chegou

Publicado: 5 de Janeiro, 2009
Categoria: Blábláblá, Nenhum comentário

Nessa época sempre faço um balanço do que passou e mais aquele monte de resoluções para o ano novo. Algumas delas até consigo cumprir, mas outras vão se acumulando indefinidamente (levar à sério uma atividade física qualquer, por exemplo). Esse ano não vai ser diferente: lá vou eu me propor a realizar mil coisas, incluindo as acumuladas dos anos anteriores… voltar a estudar e fazer uma viagem bem bacana são duas das novas. Trocar meu carro - que só tem dado dor de cabeça - e resolver o impasse Rio X Sampa estão encabeçando a lista.

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Mas pra mim esse ano só começa mesmo depois do dia 13, quando eu volto ao trabalho. Enquanto isso, mais alguns dias de sombra, água fresca e pernas para o ar. Até lá!

Ela se foi.

Publicado: 20 de Dezembro, 2008
Categoria: Nhé, Nenhum comentário

Desde que meu irmão mais velho faleceu que eu não preciso lidar com a morte de alguém tão próximo. Isso já tem 23 anos.

Hoje levei a Tchullinha para fazer eutanásia. Ela já estava bem velhinha e debilitada (cega, surda, sem dentes, com sopro no coração, água no pulmão, uma infecção seriíssima detectada nos exames dessa semana) e nos últimos dias vinha tendo ataques, gritando de dor e tendo convulsões.

Optar pela eutanásia não foi difícil: queríamos abreviar o sofrimento dela. E o nosso em vê-la naquele estado. O difícil foi depois de levá-la ao veterinário, voltar para casa sem ela. E saber que aquela cadelinha não existe mais.

Aos cuidados da minha mãe por todos esses anos, sem sombra de dúvidas a Tchulla teve uma vida feliz, foi muito amada e bem cuidada. Ela também não deixou a desejar no seu papel de cãzinha fiel, doce, engraçada e destemida.

Adeus, Tchu. Você vai fazer muita falta. :o(

Está chegando a hora…

Publicado: 14 de Dezembro, 2008
Categoria: Blábláblá, 2 comentários

Você tem a mesma impressão que eu de que o Natal de 2007 foi outro dia? De que quando a gente vai ficando velho o tempo voa?

Ufa…

A mais cara

Publicado: 30 de Setembro, 2008
Categoria: Nhé, Blábláblá, 3 comentários

Eu, mamãe e Clara voltamos para o Rio no domingo pela TAM. Chegamos ao aeroporto com uma hora e meia de antecedência do vôo, fizemos check-in e fomos fazer hora passeando pelas lojinhas. Nos distraímos e entramos para embarcar faltando uns dez minutos para o avião sair e…. adivinha? Não deixaram a gente embarcar.

Não estou dizendo que estou certa em chegar 10 minutos antes da hora do vôo, mas os atendentes da TAM não fizeram o menooooor esforço para verificar se ainda tinha alguma possibilidade da gente entrar no avião, afinal tinha uma criança de 2 anos no meu colo que ficaria mofando ali por mais 3 horas. Sim, porque fizeram o grande favor de nos encaixar no próximo vôo que saía dali a três horas.

Ok, esperamos o próximo avião (que faria uma conexão no Rio com destino à Paris, ou seja, nem um lanchinho sequer!) e quando chegamos, a preocupação era com a bagagem que provavelmente teria vindo no vôo anterior. Explicamos a situação a mais um preparadíssimo funcionário da TAM e este nos informou com toda convicção que quando isso acontece, as malas são retiradas e que nossos pertences estariam mesmo no vôo no qual viemos.

A reserva inicial que perdemos era para 19h. O avião que pegamos saía de São Paulo às 22h chegando ao Rio quase às 23h, ou seja, a essa altura do campeonato, Clara estava desmaiada no meu colo, enquanto eu aguardava ansiosamente a chegada das nossas bagagens pela esteira.

Depois de uma hora em pé com uma criança de 13 quilos no colo, sobrou uma esteira vazia, veja só! Foi quando um novo funcionário da TAM chegou perto de mim e perguntou sobre as minhas malas. Expliquei a história e ele imediatamente falou: “ah! sua bagagem veio no vôo anterior, por favor, queira me acompanhar”. E não é que realmente nossas malas estavam numa saletinha só esperando por nós? Incrível.

No final das contas foram 5 horas de aeroporto, uma coluna estrupiada, fome, sede, um mau humor sem fim e claro um já manjado “peço desculpas em nome da TAM”.

Isso é que dá ser mulambo e comprar passagem levando em consideração só o preço, acaba saindo caro…

Despedidas sucks

Publicado: 29 de Setembro, 2008
Categoria: Blábláblá, 1 comentário

Essa semana fomos todos para Sumpa nos despedir do Alê. Meu irmão vive em outra cidade há anos e eu já me acostumei a vê-lo com pouca frequência, mas despedidas são sempre uma merda.

Só de pensar que ele está lá do outro lado do mundo e que não é mais a qualquer hora, depois de uma ponte aérea que a gente vai poder matar a saudade, dá o maior aperto no coração. :o/

Tomara que esse ano passe bem rápido…

Ensina-me a viver

Publicado: 25 de Agosto, 2008
Categoria: Aconteceu, virou manchete, 4 comentários

E depois de loooongo e tenebroso inverno com a vida cultural chafurdada na lama, pasmem: fui ao teatro.

A peça Ensina-Me a Viver está em cartaz na Sala Marília Pêra, do Teatro do Leblon. Com texto de Colin Higgins, tradução inédita de Millôr Fernandes e direção e adaptação de João Falcão, a montagem também serve de comemoração pelos 50 anos de carreira de Glória Menezes, que encabeça o elenco da obra.

Adaptação do filme homônimo que foi sucesso de crítica e público da década de 70, o espetáculo conta a história de Harold, um garoto sombrio, com fixação pela morte que vê a sua vida mudar quando conhece Maude, uma quase octogenária completamente apaixonada pela vida e adepta de uma filosofia hedonista.

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Digamos que a peça é uma comédia de humor negro com uma pitada de drama, mas definitivamente, é a comédia que dá o tom. Ela começa num criativo jogo formado em função de sucessivas movimentações dos objetos cênicos (executadas pelos integrantes do elenco de apoio) passando a compor inúmeros ambientes diferentes. As cenas em que Harold simula o suicídio são recriadas com forte impacto visual, cumprindo seu papel de divertir e assombrar a platéia. Pontos para a direção de João Falcão.

O carismático Arlindo Lopes é o idealizador do projeto. Além de ter comprado os direitos da peça, corrido atrás de produtora e equipe por quase 4 anos, ainda dá um show como o jovem Harold. Batemos um papo no final do espetáculo e ainda pude constatar que ele é um fofo. Augusto Madeira e Fernanda de Freitas – ambos com uma forte pegada cômica - interpretam várias personagens e acabam roubando a cena. Augusto tem 6 personagens (com destaque para Tio Vitor, um ex-militar que perdeu o braço na guerra) e Fernanda tem 3 (as três hilárias candidatas a namoradas de Harold). Pontos para o elenco todo.

O texto é divertido e tocante. A montagem cerca-se de grande profissionais, o figurino é lindo - evidenciando bem o lado mórbido de Harold e o ingênuo e divertido de Maude. A cenografia conquista desde o início, quando os créditos são projetados em telas móveis. Estas mesmas telas ficam em movimento durante toda a trama, compondo um cenário simples e eficiente. E para completar o conjunto com louvor, a trilha sonora é de arrasar. Enfim, no mínino, diversão garantida.

E lá se vão 6 anos!

Publicado: 6 de Agosto, 2008
Categoria: Aconteceu, virou manchete, 4 comentários

No dia 06-08-2002 a gente se beijou no meio de um showzinho que rolava no Far Up. Eu não fazia idéia do que ia acontecer dali para frente, principalmente em mais uma semana quando o Cris voltaria para o Canadá, mas já tinha meio que resolvido na minha cabeça que era *ele*. Como é que a gente decide esse tipo de coisa?? Sei lá! O problema era dele…

Para economizar memória, a gente casou em 06-08-2005.
Hoje, dia 06-08-2008, ele está lá em São Paulo e eu aqui na Bahia…

Mas para provar que esse blog ainda serve para alguma coisa, quero fazer aqui uma declaração para o meu amor e dizer o quanto ele me faz a mulher mais feliz do mundo e o quanto eu me sinto privilegiada por ele ter me escolhido. Que esses seis anos juntos foram demais e eu quero muito mais. Então a gente se encontra na sexta-feira e vai à forra, tá? ;o)

Dois meses depois

Publicado: 17 de Julho, 2008
Categoria: Blábláblá, 4 comentários

Enfim, depois de dois meses de silêncio nesse blog, resolvi escrever alguma coisa.

Pra variar, estou atolada de trabalho ate o último fio de cabelo branco, chegando em casa e tentando ficar o máximo de tempo possível com a Clara - que aliás esta comecando a desenrolar a língua e falou sua primeira frase totalmente inteligível: “ai, meu pé!”.

Resolvi também malhar, finalmente! Pra comecar, 40 minutinhos de esteira e uma série de musculação que eu acho um porre, mas que é necessária… Vamos ver se agora vai e eu perco esses 12 quilos infelizes.

Madura, eu?

Publicado: 18 de Maio, 2008
Categoria: Aconteceu, virou manchete, 11 comentários

Passei a semana inteira pensando em escrever alguma coisa sobre o meu aniversário, afinal hoje estou entrando na casa dos “inta”.

Completar 30 anos faz você refletir. Como não olhar para o passado? Nas coisas que ficaram lá longe e hoje já não existem mais? Pensar no que eu fui, no que sou hoje e no que me tornarei daqui para frente? Tenho uma sensação gigantesca de que a vida está passando rápido demais e uma incerteza maior do que nunca sobre estar ou não fazendo tudo o que posso por mim e pelas pessoas que eu amo.

A gente também pára para pensar no que construiu até então, e disso, ah, eu não tenho do que reclamar. Tenho amigos que posso contar nos dedos de uma das mãos e me sinto privilegiada por poder chamá-los de amigos. Tenho uma família que não existe nem adjetivos para descrever. Escolhi o cara mais maravilhoso do mundo para ficar do meu lado e sou correspondida! Tive uma filha linda, doce e saudável. Trinta anos e eu me sinto apenas começando…parabéns pra mim!!!!

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Essa crônica foi extraída do livro “Mulher Madura”. Achei ótima.

QUATRO pessoas, num mesmo dia, me dizem que vão fazer 30 anos. E me anunciam isto com uma certa gravidade. Nenhuma está dizendo: vou tomar um sorvete na esquina, ou: vou ali comprar um jornal. Na verdade estão proclamando: vou fazer 30 anos e, por favor, prestem atenção, quero cumplicidade, porque estou no limiar de alguma coisa grave.

Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar.

Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crônica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.

Até os 30, me dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar. Mas também se poderia dizer: até essa idade fez-se o aprendizado básico. Cumpriu-se o longo ciclo escolar, que parecia interminável, já se foi do primário ao doutorado. A profissão já deve ter sido escolhida. Já se teve a primeira mesa de trabalho, escritório ou negócio. Já se casou a primeira vez, já se teve o primeiro filho. A vida já se inaugurou em fraldas, fotos, festas, viagens, todo tipo de viagens, até das drogas já retornou quem tinha que retornar.

Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar.

Um dia eu fiz 30 anos. Estava ali no estrangeiro, estranho em toda a estranheza do ser, à beira-mar, na Califórnia. Era um homem e seus trinta anos. Mais que isto: um homem e seus trinta amos. Um homem e seus trinta corpos, como os anéis de um tronco, cheio de eus e nós, arborizado, arborizando, ao sol e a sós.

Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se no espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objetivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente.

Mas fazer 30 anos é como sair do espaço e penetrar no tempo. E penetrar no tempo é mister de grande responsabilidade. É descobrir outra dimensão além dos dedos da mão. É como se algo mais denso se tivesse criado sob a couraça da casca. Algo, no entanto, mais tênue que uma membrana. Algo como um centro, às vezes móvel, é verdade, mas um centro de dor colorido. Algo mais que uma nebulosa, algo assim pulsante que se entreabrisse em sementes.

Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer.

Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó.

Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar.

Affonso Romano de Sant’Anna